Barragens do país chegaram a
Abril cheias a 95%
02/04/2013 - 12:21
As maiores albufeiras do país estavam
cheias ou praticamente cheias e continuam a fazer grandes descargas.
Portugal
chegou ao fim de Março com 95% da capacidade de retenção de água nas suas
barragens esgotada. Pelo menos 17 barragens – mais de um quarto do total do
país – estavam a 100%, segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Perto do limite máximo, e acima de 95%, havia mais oito. E ainda 12 estavam
entre 90% e 95%.
Entre
as albufeiras mais cheias estão as maiores do país. Alqueva, no Guadiana – a
com maior volume – fechou o mês a 100%. Na bacia do Tejo, a barragem de Castelo
de Bode, a segunda em volume de água, estava a 97,5%. Cabril e Pracana, também
na bacia do Tejo, situavam-se nos 97%.
O balanço mensal do enchimento das barragens feito pela APA
pinta de azul 11 das 12 bacias hidrográficas monitorizadas. Isto significa que
o nível de armazenamento total nessas bacias estava acima de 80%, chegando a
99,7% no Guadiana e 97,4% no Tejo.
O país todo está a ser afetado por cheias moderadas, resultado
da combinação de um mês de Março chuvoso com um dia de precipitação muito
intensa, no domingo passado. Esta
terça-feira, ainda havia dezenas de estradas cortadas.
A chuva encheu as barragens em Portugal e Espanha e muitas delas
têm vindo a descarregar grandes quantidades de água. A albufeira de Castelo de
Bode continua a fazer grandes descargas, de modo a baixar o seu nível.
“Tentaremos minimizar os incómodos para as populações, reduzindo, logo que
possível, os caudais lançados por Castelo de Bode e, em consequência, os
caudais lançados no rio Tejo”, informa a EDP, numa nota escrita enviada ao
PÚBLICO.
A principal preocupação agora é esvaziar um pouco as barragens,
de modo a criar mais capacidade de encaixe, caso seja necessário. Para
quarta-feira estão previstos períodos
de chuva e aguaceiros, por vezes fortes, em Portugal continental. A chuva
deverá estender-se pela porção espanhola das bacias hidrográficas
transfronteiriças.
Para já, a situação nas barragens está estabilizada e a
melhorar. “Já não há afluências maiores do que as descargas”, afirma Rui
Rodrigues, responsável pela monitorização das cheias na APA.
Em Castelo de Bode, o nível de enchimento desceu de um pico de
120,91 metros – atingido no domingo – para a cota 120,37 metros, registada na
manhã desta terça-feira. São apenas 54 centímetros, mas que significaram
retirar da barragem 22 milhões de metros cúbicos de água – ou 22 mil milhões de
litros.
A EDP encara “com algum optimismo” a situação das suas barragens
nas diferentes bacias hidrográficas do país, dizendo que nas do Cávado, Douro,
Lima e Mondego a tendência é de normalização.
Chegar ao mês da Março com as bacias tão cheias como agora não é
situação inédita. Nas últimas duas décadas, pelo menos em cinco anos – 1991,
1996, 2001, 2010 e 2011 – o mapa do país esteve tão pintado de azul como agora,
com as bacias hidrográficas entre 80% e 100% da sua capacidade.