Carvão vai ser tão usado como
o petróleo em 2017
18/12/2012 – Jornal Público
Agência
Internacional de Energia diz que consumo continuará a subir, sobretudo na China
e na Índia, no meio de uma profunda transformação no mercado energético.
O
carvão – o mais poluente dos combustíveis fósseis – vai praticamente igualar o
petróleo como a principal fonte mundial de energia dentro de cinco anos.
De
acordo com um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), o consumo de
carvão, que cresceu 4,3% entre 2010 e 2011, continuará a subir a um ritmo de
2,6% ao ano até 2017. O aumento virá sobretudo dos países em desenvolvimento –
especialmente da China e da Índia. E mesmo que se preveja uma queda nos países
em desenvolvimento, o saldo positivo porá o carvão lado a lado com o petróleo
como fonte energética de eleição.
O
cenário de médio prazo da AIE para o carvão traça um mercado em profunda mudança.
Os Estados Unidos precisam cada vez menos de carvão, devido à exploração
crescente de gás de xisto – uma forma não-convencional de gás natural, que está
a revolucionar o panorama energético norte-americano. Enquanto o gás substitui
o carvão nos EUA, na Europa a tendência está a ser contrária – com a importação
dos excedentes norte-americanos a preços que caíram cerca de 35% entre 2011 e
2012.
Ainda
assim, o aumento do consumo previsto na Europa é pequeno – 0,4% por ano até
2017 – e nos países da OCDE em geral, o que se antecipa é uma queda de 0,7% por
ano.
Do
outro lado do mundo, o carvão continua a ser o motor energético do crescimento
das economias emergentes. A China já ultrapassou o Japão como o maior
importador mundial de carvão. Em 2014, mais da metade do carvão consumido no
mundo estará a ser utilizada nas centrais térmicas e fábricas chinesas.
Na
Índia também se prevê um crescimento acelerado, com o país a ultrapassar os
Estados Unidos com segundo maior consumidor de carvão dentro de cinco anos.
Na
prática, até 2017 estarão a ser queimadas 1200 milhões de toneladas a mais de
carvão por ano em todo o mundo, em comparação com os dias de hoje. Em
cerca de uma década, segundo a AIE, o carvão já será a principal fonte mundial
de energia – a despeito dos seus potenciais danos ambientais, em especial as
emissões de CO2.
Dois
travões ao carvão não estão neste momento a funcionar. O mercado de carbono
está em baixo – em especial, o Comércio Europeu de Licenças de Emissão, com
preços do CO2 que desestimulam esforços para a redução das emissões. E o uso da
tecnologia de captura e sequestro de carbono, que permitiria recolher o CO2 nas
chaminés e enterrá-lo no subsolo, não está a avançar.
Sem
isso, segundo a AIE, apenas a competição pelo preço – como está a acontecer nos
Estados Unidos – pode limitar o uso do carvão, em favor de outras fontes de
energia menos poluentes, como o gás natural ou outras alternativas. “A Europa,
a China e outras regiões deveriam tomar nota disto”, diz a diretora executiva
da AIE, Maria van der Hoeven, num comunicado.
